O Porto de Santos movimentou 146,5 milhões de toneladas de cargas durante todo o ano passado. A marca supera em 9,3% o volume operado no cais santista em 2019 e também ultrapassa as projeções de especialistas do setor.

O dado foi divulgado nesta quarta-feira (6) pela Autoridade Portuária de Santos (APS), novo nome da Companhia Docas do Estado de São Paulo. Porém, a estatal que administra o Porto de Santos ainda não consolidou os números referentes à movimentação de cargas em dezembro.

Mesmo durante a pandemia de covid-19, a marca alcançada em 2020 é maior do que a projeção divulgada pelo diretor-presidente da APS, Fernando Biral, no mês passado. E o agronegócio foi o carro-chefe da movimentação no cais santista.

‘Historicamente a produtividade dos portos aumenta em ocasiões de crises. Foi assim nas grandes guerras e, agora, diante a pandemia. Cresce a demanda de alimentos e respondemos com grãos, sendo necessário importar equipamentos e fertilizantes, por exemplo. Nunca vimos tanto adubo nesse Porto’, destacou o economista e professor universitário, Helio Hallite.

Segundo o especialista em comércio exterior, insumos médicos, fármacos e hospitalares também desembarcaram no cais santista durante todo o ano passado. ‘Países em lockdown, tomam mais do nosso café e nosso suco de laranja. Contêineres refrigerados levam todos os tipos de carnes para mais de 60 destinos. Esses são alguns dos exemplos mais exponenciais, a prova que o Porto é essencial, a UTI do comércio exterior’.

Já o engenheiro Marcos Vendramini aponta que o crescimento das operações é sustentado por três principais razões. A primeira tem a ver com a economia.

‘Ainda que o consumo de itens agrícolas tenha continuado, a incerteza econômica por certo deixou uma demanda represada que será consumida em um cenário de mais certeza da economia – quando as pessoas estiverem mais seguras sobre o desenvolvimento econômico’, afirmou.

Vendramini também destaca que qualquer crescimento econômico adicional gerará uma demanda maior por bens duráveis, possivelmente incrementando também a movimentação de contêineres no cais santista. ‘O mesmo se aplica aos granéis líquidos como combustíveis que tendem a aumentar com uma maior circulação das pessoas e das cargas e dos químicos com o maior consumo de bens’.

Projeções

Para o economista Fabrizio Pierdomenico, neste ano, a previsão é de um crescimento em torno de 5%, em toneladas no Porto de Santos. A previsão de safra é levada em consideração nesta conta.

‘Nossas projeções apontam uma movimentação entre soja, farelo de soja e milho de quase 47 milhões de toneladas em 2021, crescimento de cerca de 7%, comparado ao total previsto para 2020’.

A retomada da economia é outro importante fator a ser analisado. ‘Se efetivamente o Brasil e o mundo crescerem seus PIBs, granéis líquidos (combustível, químicos e suco de laranja) e contêineres devem crescer na proporção do próprio PIB brasileiro para 2021, estimado entre 3% a 4%, ressalvado algum problema que a pandemia poderá provocar ainda no primeiro semestre desse ano’, destacou Pierdomenico.

Nem tudo são flores

Segundo os especialistas, o crescimento de movimentação de cargas deve se sustentar neste ano. Porém, os reflexos da pandemia já são sentidos.

‘Diante a satisfação das estatísticas, uma notícia nos entristeceu: os famosos portos especializados em corte de navios e produção de sucata anunciaram que estão congestionados, pelo surpreendente aumento de navios de passageiros, descomissionados e entregues aos maçaricos’, afirmou Hallite.

Pierdomenico lembra que também há impactos na movimentação de turistas no cais santista. ‘A pandemia, por sinal, ainda deve provocar alguns efeitos no Porto na movimentação de automóveis e no setor de navios de passageiros, que já teve a temporada 20/21 cancelada’.

Fonte:  A Tribuna de Santos On-line

Foto: ABTRA